Há violências que não terminam quando a porta de casa se fecha. Elas atravessam a madrugada, tiram o sono, afetam a saúde física e emocional, comprometem a concentração no trabalho, provocam atrasos, faltas, afastamentos e colocam em risco a renda de quem precisa continuar trabalhando para sustentar a si mesma e, muitas vezes, toda a família.

Mas há uma realidade ainda mais dura: para milhares de mulheres, a violência doméstica pode terminar em feminicídio.

Por isso, o Agosto Lilás é mais do que uma campanha de conscientização. É um chamado para que toda a sociedade enfrente uma das mais graves violações de direitos humanos no Brasil. Em 2026, a mobilização ganha um significado ainda mais forte ao marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), uma conquista histórica da luta das mulheres que transformou a forma como o Estado brasileiro reconhece, previne e combate a violência doméstica e familiar.

A Lei Maria da Penha salvou vidas, fortaleceu a rede de proteção e deu visibilidade a uma violência que durante décadas foi tratada como um problema privado. Ainda assim, o país continua registrando números alarmantes de agressões e feminicídios. Por trás de cada estatística há uma mulher que teve sua liberdade, sua segurança e, em muitos casos, sua vida interrompida.

Quando a violência chega ao trabalho

A violência doméstica não fica restrita ao ambiente familiar. Ela acompanha muitas mulheres até o trabalho.

Há quem chegue ao expediente depois de uma noite de ameaças ou agressões. Há quem precise faltar para registrar ocorrência, buscar atendimento médico, comparecer ao Judiciário ou proteger os filhos. Outras convivem com perseguições do agressor, ligações insistentes, mensagens que intimidam ou medo constante de serem encontradas no trajeto entre casa e o trabalho.

Essas situações geram ansiedade, insegurança, adoecimento e perda de qualidade de vida. Também podem comprometer o desempenho profissional, aumentar o risco de afastamentos e colocar em risco a principal fonte de sustento da família.

Ao mesmo tempo, romper um ciclo de violência não depende apenas de coragem. Muitas mulheres permanecem em relações abusivas porque têm medo de perder a renda, não sabem como sustentar os filhos ou acreditam que não terão apoio para recomeçar.

Ter um emprego, receber corretamente o salário, conhecer os direitos garantidos pela Convenção Coletiva e contar com uma rede de apoio também pode significar a possibilidade de reconstruir a própria vida com segurança.

Por isso, a violência doméstica também precisa ser compreendida como uma questão de trabalho, de proteção social e de direitos.

A proteção também passa pelos direitos da categoria

Os trabalhadores e trabalhadoras das instituições beneficentes, religiosas e filantrópicas dedicam diariamente seu trabalho ao cuidado de crianças, idosos, pessoas com deficiência, famílias e populações em situação de vulnerabilidade.

Além das garantias previstas na legislação, a Convenção Coletiva de Trabalho é mais um instrumento de proteção da categoria. Conhecer esses direitos e buscar orientação quando surgirem dificuldades faz parte da construção de um ambiente de trabalho mais seguro e mais humano.

Quando uma trabalhadora enfrenta uma situação de violência, ela não precisa lidar sozinha com dúvidas sobre seu vínculo de emprego, seus direitos ou as consequências dessa violência para sua vida profissional.

O sindicato também é um espaço de acolhimento

Muitas mulheres demoram para pedir ajuda por medo, vergonha, culpa ou receio de não serem compreendidas. Buscar orientação não significa que todas as decisões precisam ser tomadas imediatamente. Muitas vezes, o primeiro passo é encontrar um lugar seguro para ser ouvida, receber informação confiável e conhecer os caminhos possíveis.

O Sintibref-MG está à disposição para orientar as trabalhadoras da categoria sobre os direitos previstos na Convenção Coletiva, esclarecer dúvidas relacionadas ao trabalho e oferecer acolhimento inicial, além de indicar os encaminhamentos adequados para a rede de proteção.

Você não está sozinha

Se você vive uma situação de violência doméstica ou conhece alguém que esteja passando por isso, procure ajuda.

  • Em caso de risco imediato, ligue para a Polícia Militar no 190.
  • Para orientação, acolhimento e encaminhamento, utilize a Central de Atendimento à Mulher no 180, um serviço gratuito e sigiloso disponível em todo o país.

O Sintibref-MG também pode oferecer acolhimento com o Núcleo Emocional e Psicossocial do PASMI. Você tem acesso a atendimento psicológico, atendimento psiquiátrico e acompanhamento com assistentes psicossociais. Veja mais aqui!

Neste Agosto Lilás, o Sintibref-MG reafirma que defender o trabalho digno também significa defender o direito das mulheres de viver sem violência.
Nenhuma mulher pode perder o emprego ou a própria vida por conta da violência. Proteger a trabalhadora é garantir o direito de viver e trabalhar em paz