Este mês começa com um chamado para toda a sociedade: olhar com mais atenção para a saúde mental, reconhecer sinais de sofrimento e lembrar que ninguém precisa enfrentar um momento difícil sozinho. O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização e prevenção ao suicídio que busca ampliar o diálogo sobre saúde mental, combater o preconceito e, principalmente, incentivar a procura por ajuda.
Para quem passa os dias cuidando, acolhendo, educando, orientando e ajudando outras pessoas, há um lembrete especialmente importante: quem cuida também precisa de cuidado. Trabalhadores de instituições beneficentes, religiosas e filantrópicas podem enfrentar rotinas exigentes e, em diferentes funções, estar próximos de situações de vulnerabilidade e sofrimento. Fora do trabalho, ainda existem as preocupações financeiras, familiares e pessoais que fazem parte da vida.
Como surgiu o Setembro Amarelo?
No Brasil, o movimento Setembro Amarelo começou a ser organizado no fim de 2014 e teve sua primeira edição em 2015, com a participação de entidades como o Centro de Valorização da Vida (CVV). Desde então, esta época do ano se tornou um período de mobilização para incentivar uma abordagem mais responsável e acolhedora sobre o sofrimento emocional.
O suicídio é um fenômeno complexo e não pode ser explicado por uma única causa. Questões psicológicas, sociais, culturais e ambientais podem estar relacionadas a situações de sofrimento. Por isso, é fundamental acolher e saber onde buscar ajuda.
Alguns sinais merecem atenção
Não existe uma lista capaz de determinar, sozinha, que alguém está em risco. Um sinal isolado também não significa necessariamente que uma pessoa esteja pensando em suicídio. Ainda assim, algumas mudanças de comportamento merecem atenção, principalmente quando aparecem juntas ou persistem.
Entre elas estão:
- falas frequentes sobre morte, desaparecimento ou falta de esperança
- manifestação direta do desejo de morrer ou de tirar a própria vida
- isolamento de familiares, amigos e pessoas próximas
- sentimento intenso de culpa, inutilidade ou falta de perspectiva
- abandono de planos para o futuro
- despedidas incomuns ou distribuição de objetos pessoais
- atitudes impulsivas ou de risco
- angústia persistente e perda do interesse ou do prazer nas atividades cotidianas
Percebeu que alguém não está bem? Escute sem julgar
Às vezes, a primeira ajuda é ter alguém disposto a ouvir. Se uma pessoa próxima demonstra sofrimento intenso, procure um momento tranquilo para conversar. Escute com respeito, leve o que ela diz a sério e evite julgamentos ou comparações.
Frases como “isso é bobagem”, “você precisa reagir” ou “tem gente passando por coisa pior” podem aumentar a sensação de isolamento. Você também não precisa assumir sozinho a responsabilidade de resolver a situação. Incentive a busca por atendimento profissional e, quando possível, ofereça companhia para procurar ajuda.
Se houver risco imediato, não deixe a pessoa sozinha e procure um serviço de urgência.
Se você está passando por um momento difícil
Se a angústia está muito intensa, se você sente que não consegue lidar sozinho com o que está acontecendo ou tem pensamentos de morte ou de tirar a própria vida, não guarde isso só para você.
Procure alguém em quem confie e conte como está se sentindo. Tente permanecer próximo de outras pessoas e busque ajuda profissional. Se sentir que pode se machucar ou que está em risco imediato, não fique sozinho e procure atendimento de urgência. Você não precisa esperar o sofrimento piorar para pedir ajuda. O que você sente merece atenção, acolhimento e cuidado!
Onde buscar ajuda?
- Sofrimento emocional: Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)
- Situações de urgência: UPA 24 horas, pronto-socorro ou hospital ou SAMU (pelo número 192).
- Apoio emocional gratuito e sigiloso: Centro de Valorização da Vida (CVV). O atendimento pelo telefone 188 funciona 24 horas por dia, todos os dias.
Lembre-se: sobrecarga, jornadas difíceis, conflitos, insegurança e contato constante com situações de sofrimento podem afetar o bem-estar de quem trabalha. Reconhecer o próprio limite e procurar apoio também é uma forma de cuidado.
Neste Setembro Amarelo, o Sintibref-MG reforça uma mensagem para toda a categoria: se estiver difícil, não enfrente tudo em silêncio.
Converse com alguém de confiança, procure ajuda profissional e permita que outras pessoas estejam ao seu lado. Você não está sozinho!




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